Arade – um corpo aberto à Poesia







a minha cidade tem um rio
onde as tardes namoram o cais

o rio da minha cidade
canta o levante em versos de Al-Mutamid e
o crescente esmorece em crepúsculo
enfeitiçado por Ibn ‘Ammar

[ há ecos de lirismo febril no
                                        rio da minha cidade ]

o rio da minha cidade matiza desejos
quando as donzelas enfeitadas
com subtis adornos dançam ao som dos
alaúdes e os seus corpos descansam
no prazer de um olhar fugidio

[ o rio da minha cidade rememora Allah e
                                        Al-Xaradjib ]

nas margens do rio da minha cidade
os Amantes bebem o néctar da bravura
mas gráceis e sedutores colhem em
versos os frutos ambivalentes do amor


[ o rio da minha cidade ainda hoje
                                  é um eco aberto à Poesia ]